English Literature · Literature

The Conscript

O RECRUTA
Excerto do Capítulo 1
by E. Temple Thurston

Era uma noite nos finais de Novembro. O nevoeiro que, durante a tarde, tinha permanecido deitado como uma besta agachada entre as casas apinhadas, agora levantava-se. Fora como se tivesse esperado até ao anoitecer pela sua presa e depois partido, deixando uma sensação de aborrecimento no ar que pesava persistentemente sobre as almas. Uma suave morrinha molhava a calçada. Embaciava as placas de vidro dos candeeiros de rua, esmorecendo o brilho da luz interior.

Nas janelas de todas as casas, as luzes eléctricas estavam acesas. Podiam-se ver empregados de escritório, homens e mulheres, debruçados sobre as suas secretárias. Alguns trabalhavam continuamente, sem desviar o olhar das suas ocupações; outros contemplavam a rua com rostos inexpressivos. Ocasionalmente, a figura de um homem saia da aparente escuridão de uma sala além. A luz espraiava-se em manchas sobre a sua cara. Podia ver-se os seus lábios a mexer à medida que falava para o ocupante da secretária; podia-se até vislumbrar a animação difusa na cara da pessoa a quem se dirigia. Mas apenas durava alguns momentos. O homem afastava-se e o olhar de cansaço apático instalava-se novamente sobre as feições do funcionário assim que este ou esta fossem deixados só.

(…)

Source: The Conscript by E. Temple Thurston

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The Avenger

O VINGADOR
Excerto do Capítulo 1 – Uma Visita Misteriosa
by E. Phillips Oppenheim

O homem e a mulher permaneceram frente a frente, embora que, na parca luz da lareira que solitariamente iluminava a sala, nenhum deles conseguia ver muito, salvo a silhueta um do outro. A mulher estava de pé ao fundo do apartamento, junto à secretária – a secretária dele. Os trémulos dedos esguios de uma das mãos estavam suavemente pousados sobre esta e a outra pendia a seu lado, nervosamente amarrotando a luva que descalçara uns minutos antes. O homem ficou de costas para a porta pela qual tinha acabado de entrar. Vestia roupa de noite; trazia um sobretudo no braço e o chapéu posto um pouco para trás na cabeça. Um cigarro ainda ardia entre os seus lábios, a chave que tinha utilizado para entrar em casa balançava no seu dedo mindinho. Até ao momento, nenhuma palavra havia sido trocada entre eles. Estavam ambos aparentemente estupefactos naquele momento, com a inesperada presença do outro.

O homem foi o primeiro a recuperar a compostura. Arremessou o seu sobretudo para uma cadeira e tocou nos manípulos de bronze atrás da porta.

Instantaneamente, a sala foi inundada com o brilho suave das lâmpadas. Agora conseguiam ver-se nitidamente. A mulher inclinou-se um pouco para a frente e havia espanto e medo a reluzir nos seus olhos suaves e escuros. Quando falou, a sua voz não lhe soou natural.

Para ele surgiu como uma surpresa, pois o mundo de homens e de mulheres era o seu estudo e reconheceu de imediato a sua qualidade.

“Quem é o senhor?” – exclamou ela. “O que deseja?”

Ele encolheu os ombros.

“Parece-me,” respondeu ele, “que eu poderia assumir mais adequadamente o papel de interrogador. No entanto, não tenho qualquer objeção em me apresentar. O meu nome é Herbert Wrayson. Posso perguntar,” continuou ele com sarcasmo tranquilo, “a que devo esta visita inesperada?”

(…)

Source: The Avenger by E. Phillips Oppenheim