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Até as abelhas sabem contar até três

O ser humano é capaz de detetar até quatro objetos só de relance. Isso já havia sido comprovado pelo economista William S. Jevons em 1871, com o auxílio de uma caixa de feijões. Por outro lado, quantidades maiores requerem uma contagem exata. Experiências posteriores demonstraram que também macacos, pombos e outros vertebrados são capazes de detetar a quantidade exata de objetos numa mão cheia só de relance.

Mas o que será que acontece no caso dos insetos? Com as abelhas, por exemplo? Essa foi a questão à qual os investigadores liderados por Jürgen Tautz, do Centro de Biologia da Universidade de Wurtzburgo, tentaram responder recentemente. As abelhas não se interessam muito por feijões, mas o mesmo não se pode dizer de uma tigela com água açucarada. Os cientistas colocaram essa tigela por trás de uma de duas placas, cada uma com um buraco, através do qual os insetos poderiam voar. Na placa que escondia a recompensa, encontrava-se o número de objetos inscritos na madeira, de uma forma codificada. As abelhas descobriram logo na primeira tentativa que poderiam sempre encontrar a água açucarada escondida atrás da placa com dois objetos – independentemente destes se tratarem de maçãs vermelhas ou pontos amarelos.

A experiência também resultou corretamente com três ou quatro objetos coloridos. Com um maior número de objetos, as abelhas fracassavam. Estas claramente deixaram de conseguir diferenciar quantidades e para efetuar a contagem dessas quantidades faltavam-lhes simplesmente os dedos.

E o que têm as abelhas a ganhar com a sua capacidade intuitiva de contagem? Os biólogos de Wurtzburgo levantam a hipótese de que estas sejam capazes de, por exemplo, estimar rapidamente qual o número de flores num ramo ou quantas abelhas já estão numa flor. Deste modo, estas sabem de imediato se deverão pousar ou partir.

Source: Auch Bienen können bis drei zählen

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Response to a Monovalent 2009 Influenza A (H1N1) Vaccine

Greenberg, M, et al.

ABSTRACT

Background

A novel 2009 influenza A (H1N1) virus is responsible for the first influenza pandemic in 41 years and a safe and effective vaccine is needed. A randomized, observer-blind, parallel-group trial evaluating two doses of an inactivated, split-virus 2009 H1N1 vaccine in healthy adults between the ages of 18 and 64 years is being held/conducted at a single site in Australia.

Methodology

The immunogenicity and safety of the vaccine after each of two scheduled doses, administered 21 days apart were evaluated. A total of 240 subjects, equally divided into two age groups (<50 years and 50 years), were enrolled and underwent randomisation to receive either 15 µg or 30 µg of hemagglutinin antigen by intramuscular injection. The antibody titers using hemagglutination-inhibition and microneutralization assays at baseline and 21 days after vaccination were measured. The co-primary immunogenicity endpoints were the proportion of subjects with antibody titers of 1:40 or more on hemagglutination-inhibition assay, the proportion of subjects with either seroconversion or a significant increase in antibody titer, and the factor increase in the geometric mean titer.

Findings

By day 21 after the first dose, antibody titers of 1:40 or more were observed in 114 of 120 subjects (95.0%) who received the 15-µg dose and in 106 of 119 subjects (89.1%) who received the 30-µg dose. A similar result was observed after the second dose of vaccine. No deaths, serious adverse reactions, or adverse events of special interest were reported. Local discomfort (e.g., injection-site tenderness or pain) was reported by 56.3% of subjects, and systemic symptoms (e.g., headache) by 53.8% of subjects after each dose. Nearly all reactions were mild to moderate in intensity.

Conclusions

A single 15-µg dose of 2009 H1N1 vaccine was immunogenic in adults, with mild-to-moderate vaccine-associated reactions.

Source: Resposta a uma Vacina Monovalente para a Gripe A (H1N1) 2009

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Prevention of Thromboembolism by using Recombinant Hirudin

Prevention of Thromboembolism by using Recombinant Hirudin – Findings of a double-blind and multicentric assay comparing the effectiveness of Desirudin (Revasc) with non-fractioned Heparin in patients with total hip replacement

Eriksson, P. et al

 

ABSTRACT

Introduction: The specific inhibition of thrombin is a new method used to prevent deep vein thrombosis during the post-surgery period. The aim of this multicentric, randomized and double-blind study was the comparison of the effectiveness and safety of Desirudin (Revasc, 30 µg two times a day) with non-fractioned Heparin (5.000 international units three times a day) in patients, who have opted for total hip replacement.

Methodology: The drugs were administered subcutaneously for 9 to 12 days, starting in the post-surgery period. The primary end point was an adverse thromboembolic reaction throughout the treatment period. The presence of deep vein thrombosis was evaluated using bilateral venograms, which had been centrally assessed by two independent radiologists. A total of 890 eligible subjects were randomized: 440 underwent tests using Heparin and 450 underwent tests using Desirudin. The effectiveness analysis was tested in a total of 702 subjects (78.9%), who had been evaluated through suitable bilateral venography for 9 to 12 days after the surgery or who had had an attested thrombotic event.

Findings: The prevalence of attested deep vein thrombosis was observed in 26 (7.5%) of the 348 subjects, who had been treated using Desirudin, and in 82 (23.2%) of the 354 subjects, who had been treated using Heparin, which shows a significant difference (p <0.0001). The prevalence of proximal deep vein thrombosis was also significantly lower (p <0.0001) in 78.9% in the group that had been treated using Desidurin (12 [3.4%] of the 348 subjects), when compared to the group that had been treated using Heparin (58 [16.4%] of the 354 subjects). No deaths or attested pulmonary embolisms were confirmed during the prophylaxis period. The presence of pulmonary embolisms in 4 patients, who had been treated with Heparin, was confirmed during a period of 8 follow-up weeks.

Conclusion: With this study, we were able to show that a 30mg dose of Desidurin, administered subcutaneously twice a day during the post-surgery for a period of at least 9 days results in an efficient and safe prevention against thrombotic events, with no specific requirements for laboratory follow-up, in patients who had total hip replacement.

Source: Prevenção do Tromboembolismo com o uso de Hirudina Recombinante

 

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Química: 10 Mistérios Por Resolver

Química

10 Mistérios Por Resolver 

Muitas das mais profundas questões científicas – e alguns dos problemas mais urgentes da humanidade – referentes à ciência dos átomos e moléculas.

 

① Como começou a vida?

O momento em que os primeiros seres vivos surgiram a partir de uma matéria inanimada, há quase quatro mil milhões de anos, está envolvido em mistério. Como é que moléculas relativamente simples no ‘caldo primordial’ deram origem a compostos cada vez mais complexos? E como é que alguns desses compostos começaram a processar energia e a replicar-se (duas das características que definem o conceito de vida)? A nível molecular, todos esses passos são, obviamente, reações químicas que transformam a questão da origem da vida numa questão da Química.

O desafio para os químicos já não é encontrar cenários vagamente plausíveis, os quais são abundantes. Por exemplo, investigadores têm especulado sobre minerais, como a argila, que funcionam como catalisadores na formação dos primeiros polímeros auto-replicantes (moléculas que, como o ADN ou as proteínas, são cadeias longas de pequenas unidades); sobre a complexidade química alimentada pela energia da profundidade das fontes hidrotermais; e sobre um “mundo de ARN”, no qual o primo do ADN, o ARN – pode agir como uma enzima e catalisar reações da mesma maneira que as proteínas o fazem – terá sido uma molécula universal antes do aparecimento das proteínas e do ADN.

Não, o desafio é descobrir como testar essas ideias em reações protegidas no tubo de ensaio. A investigação tem mostrado, por exemplo, que certos químicos podem, espontaneamente, reagir de modo a formarem os mais complexos blocos de construção de sistemas vivos, tais como aminoácidos e nucleótidos, as unidades básicas do ADN e do ARN. Em 2009, uma equipa liderada por John Sutherland, agora no Laboratório de Biologia Molecular MRC em Cambridge, Inglaterra, foi capaz de demonstrar a formação de nucleótidos a partir de moléculas que possam ter existido no ‘caldo primordial’. Outros investigadores centraram-se na capacidade de alguns filamentos de ARN atuarem como enzimas, proporcionando indícios a favor das hipóteses do mundo ARN. Através de tais medidas, os cientistas poderão, progressivamente, ultrapassar a lacuna da matéria inanimada para sistemas autorreplicantes e autossustentáveis.

Agora que os cientistas têm uma melhor visão de ambientes estranhos e potencialmente férteis no nosso sistema solar – os fluxos ocasionais de água em Marte, os mares petroquímicos da lua de Saturno, Titã, e os frios e salgados oceanos que parecem esconder-se sob o gelo das luas de Júpiter, Europa e Ganimedes – a origem da vida terrestre parece apenas uma parte de perguntas grandiosas: em que circunstâncias pode surgir a vida? Quão amplamente pode a sua base química variar? Essa questão fica mais valiosa com a descoberta, nos últimos 16 anos, de mais de 500 planetas extrassolares que orbitam outras estrelas – mundos de uma variedade desconcertante.

Estas descobertas levaram os químicos a alargar a sua imaginação sobre as possíveis químicas da vida. Por exemplo, a NASA prosseguiu com o ponto de vista que a água líquida era um pré-requisito mas, atualmente, os cientistas não têm assim tanta certeza. E quanto ao amoníaco líquido, formamida, um solvente oleoso como o metano líquido ou o hidrogénio supercrítico em Júpiter? E porque deveria a vida limitar-se apenas ao ADN, ARN e às proteínas? No fundo, vários sistemas químicos artificiais foram criados para exibirem um tipo de replicação a partir de partes de componentes, sem dependerem de ácidos nucleicos. Parece que tudo o que é necessário é um sistema molecular que pode servir como um modelo para fazer uma cópia e, logo de seguida, se separar.

Olhando para a vida na Terra, diz o químico Steven Benner da Fundação de Evolução Molecular Aplicada em Gainesville, Flórida, “não temos maneira de decidir se as semelhanças [tal como o uso de ADN e proteínas] refletem ancestralidade comum ou necessidades universais da vida.“ Mas se recuarmos dizendo que temos que ficar com aquilo que sabemos, afirma Benner, “não nos divertimos”.

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Aumento do uso de químicos na agricultura

Aumento do uso de químicos na agricultura mundial visto como uma das grandes ameaças ambientais 

Resumo: A agricultura será um grande factor para a alteração ambiental global nos próximos 50 anos, rivalizando com o efeito dos gases de estufa no seu impacto, de acordo com um novo estudo publicado na edição desta semana da revista Science.


“O impacto mundial da agricultura será, pelo menos, tão importante como as alterações climatéricas,” disse o autor principal David Tilman, investigador convidado no National Center for Environmental Analysis and Synthesis (NCEAS) (Centro Nacional para a Análise e Síntese Ambiental) na Universidade da Califórnia, Santa Barbara. “Temos de encontrar maneiras mais sensatas de cultivar.”

Os coautores, como um grupo de trabalho do NCEAS, passaram oito meses a recolher toda a informação que conseguiram encontrar sobre o impacto global dos humanos mediados por tudo à exceção das alterações climatéricas. A agricultura revelou-se ser a maior.

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Genes-chave provocam envelhecimento

O envelhecimento afeta todas as criaturas existentes neste planeta e todos nós sonhamos com um antídoto. No entanto, o processo de envelhecimento ainda permanece um grande mistério, mesmo após várias décadas de investigação. Novas descobertas sugerem que existe uma boa razão para este impasse: é provável que os cientistas tenham andado a pensar nas razões para o envelhecimento erradas. Em vez de ser o resultado da acumulação de anomalias genéticas e celulares, novos indícios sugerem que o envelhecimento ocorre quando os programas genéticos para o desenvolvimento correm mal.

A ideia de que o stress e as formas reativas do oxigénio – “radicais livres” que são os normais subprodutos do metabolismo – proporcionam o envelhecimento dominou o campo científico durante 50 anos. Estudos na espécie de verme Caenorhabditis elegans demonstraram que as espécies com menor exposição ao oxigénio reativo têm uma maior esperança de vida e os vermes que se têm reproduzido para viver durante mais tempo são mais resistentes ao stress. Contudo, poucos estudos conseguiram associar definitivamente danos oxidativos a células alteradas.

Os cientistas constataram também que as alterações genéticas intrínsecas acompanham o envelhecimento. Á medida que os murganhos envelhecem, um gene chamado p16INK4a, que controla o crescimento e a regeneração das células, torna-se mais ativo na maioria dos tecidos, impedindo as células de se regenerarem após um ferimento ou doença com a mesma facilidade das células novas. E comparadas com as células estaminais dos murganhos jovens, as dos mais velhos acumulam um complexo de proteínas que, com o passar do tempo, transformam os músculos em tecido fibroso e adiposo.

No entanto, estas descobertas acabaram por não servir de muito para desafiar a ideia de que o envelhecimento é o resultado da acumulação de anomalias, uma vez que estas alterações genéticas podem ser apenas uma consequência do envelhecimento e não o agressor. “Esse é sempre um desafio, tentar identificar qual é a causa e qual é o efeito,” diz Brian Kennedy, um bioquímico na Universidade de Washington. Embora os estudos tenham demonstrado que a alteração da expressão de alguns genes pode afetar a esperança de vida de um organismo, não evidente que estes genes estão mesmo envolvidos no normal processo de envelhecimento.

Source: Rethinking the Wrinkling: Key Genes Cause Aging

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Normas de Segurança no Laboratório

Os acidentes no laboratório são frequentemente o resultado do descuido ou ignorância, da sua parte ou dos seus colegas. Esteja atento e preste atenção constante às suas próprias ações e às dos seus colegas. As precauções de segurança abaixo descritas serão inválidas a não ser que haja planeamento, compreensão e uma reflexão sobre as consequências de cada ação antes da sua execução. Os acidentes comuns, que geralmente ocorrem em simultâneo, são incêndio, explosão química, queimaduras, cortes resultantes de tubos de vidro e termómetros partidos, absorção de substâncias tóxicas, mas não corrosivas, através da pele e inalação de gases tóxicos. Menos comum, mas obviamente perigoso, é a ingestão de um produto químico tóxico. Cada um destes casos é discutido de uma maneira geral abaixo, pelo que informações mais específicas sobre cada tipo de perigos serão encontradas nos protocolos individuais.

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